Existe mãe perfeita?

2 de junho de 2017 – 12:14

Aquele momento em que olhamos para dentro de nós e percebemos que somos completamente diferentes de tudo que um dia pensamos que seríamos.

Quem nunca …?

… olhou uma criança fazendo birra no supermercado e disse: “isso é falta de limite”;

viu uma criança tumultuando a mesa do restaurante  e disse: “isso é culpa dos pais que não sabem educar”;

deparou-se com uma criança nervosa, agressiva e pensou: “esse é o reflexo do que vê em casa”.

Aposto que, antes do nascimento dos seus filhos, você olhava para as outras famílias desse jeitinho.

Aposto que você já soltou a famosa frase “ah, se fosse meu filho!”.

Mas aí, veio a maternidade e desmistificou todas as suas crenças e desconstruiu todos os seus julgamentos.

Você se vê, agora, numa intensa montanha russa, em que a cada idade que seu filho completa, você percebe que birras fazem parte do dia a dia, independente do limite que você impõe; maus comportamentos em lugares não infantis fazem parte do processo, independente da educação que você dá; nervosismo e agressividade podem vir com o sono, fome, dor, dentre inúmeros outros motivos, que não o mau exemplo em casa.

Li inúmeros livros sobre a criação de filhos. “A encantadora de bebês”; “Os Segredos de uma encantadora de bebês”; “Crianças francesas não fazem manhã”; “A vida do bebê”; “Crianças francesas dia a dia”…

Além dos livros, me aventuro diariamente em blogs e grupos maternos. E, embora em alguns momentos, eu me depare com pensamentos como os meus (que embora inundada de culpa tendo viver a leveza), vejo um dogmatismo ao redor da figura mãe que me intriga, mesmo quando se trata do mais banal assunto.

Desde que adentrei nessa nova experiência da maternidade, sinto que as mulheres mães, assim como eu (estou incluída nessa crítica), defendem suas verdades e não inúmeras vezes as defendem sem que seja passível de contestação.

Esse comportamento, não só me faz refletir diariamente sobre os meus conceitos sobre a vida, como me fez  e ainda me faz distanciar de tudo o que é dogmático.

Minha busca com o #qsl, e aqui compartilho um pouco com vocês, é me recusar a acreditar nas verdades estabelecidas, tendo em vista que a maternidade não é uma doutrina, nem mesmo é voltada a um princípio considerado verdadeiro para que se estabeleçam premissas incontestáveis. 

A maternidade nada mais é que uma experiência. E, conforme o próprio significado da palavra experiência diz, refere-se a conhecimentos novos e ou aprendizado obtido através da prática ou da vivência.

Logo, se é conhecimento novo ou se é aprendizado decorrente de prática ou vivência, como definir que uma só experiência é o tipo ideal e cabal a ser seguido?

Sejamos menos cruéis ao comparar a criação dada aos filhos umas das outras; ao definir o certo e errado, aqui ou ali.

Sejamos mais ouvintes, mais observadoras, mais companheiras, mais solidárias, mas compreensivas, mais, bem mais tolerantes, mais confidentes umas das outras para trocarmos os novos conhecimentos e aprendizados advindos da nova experiência vivida e, assim, nos tornarmos mães melhores e não mães perfeitas. Essas não existem!

Tag:

Publicado por

Advogada, mãe da princesa Ana e idealizadora do grupo #quesejaleve voltado para as mães no Facebook.

1 Comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Design by Jean Gontijo